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A História de Talita

A História de Talita

Era uma vez um pequeno ovo...

 

TALITA1

Sandra Bortholoto

Era uma vez um pequeno ovo2 que estava preso a uma folhinha de um arbusto em um grande jardim. Depois de trinta dias nasceu Talita. Quando nasceu, Talita era uma lagarta3. Ficava na parte de baixo de uma folha. A única folha do arbusto que ela não comia. Um dia passou uma menininha e, ao ver Talita, exclamou:

- Que bichinho esquisito! Tem muitas pernas, tem o corpo molenga e grudento, a cor cinza. Arre, que nojo!

A mãe da menina disse:

- Minha filha, é uma lagarta!

Talita, ao ouvir esses comentários sobre ela, dizia, cheia de certeza e orgulho, para si mesma:

- Eu sou Talita4, não importa a cor, a forma e tudo mais que tenho.

Como Talita andava vagarosamente5 por causa de suas pequenas pernas, ela só ficava naquele pequeno arbusto e, por isso, seus amigos eram os “baixinhos” do jardim: o sapo Chró6, a cobrinha Zizi7, o gafanhoto Lelé8, o lagarto Simão9 e o tico-tico Mané10, que vinha ciscar a grama.

Um dia, Talita ficou com frio e encolheu-se toda, ficou parecendo uma bolinha11.

- Nossa, disse um menino que passava por ali ao avistar Talita, encontrei um casulo!

O outro, irmão mais velho, explicou:

- É uma crisálida. Tem o corpo endurecido e, dentro dele, os órgãos adultos vão se desenvolvendo. Ela passa sem comer.

- Eu sou Talita12! Pensou ela com orgulho ao ouvir o menino. O que tenho ou tive, não importa.

- O casulo tem formato de um daqueles comprimidos que a mamãe toma. É feio, tem uma cor triste. Ah, eu não gosto de casulos, não.

Talita não entendia, pois sabia que ela era a Talita e, então, ela mais uma vez, pensou, e ainda com orgulho:

-Eu sou Talita!13

Um belo dia, cansada de ficar encolhida, ela quis esticar-se14, mas... Como estava difícil. O que antes fazia parte de seu corpo tornou-se uma

pequena prisão. Mas Talita, com força de guerreira15, foi aos pouquinhos, muito aos pouquinhos se libertando. E, quando saiu inteiramente, viu surpresa que tinhas asas e que, quando elas secassem, poderia voar.

- Olha, filhinho, uma borboleta16!

- Que asas coloridas ela tem, mamãe. Tem cores lindas! Seu corpo tem elegância. Tem duas compridas antenas. Ela tem vôo alto e rápido.

Talita, mais uma vez ficou confusa. Muitas pernas ...asas lindas e coloridas; corpo molenga, nojento e grudento ... formato de comprimido... corpo elegante; andar vagaroso... vôo ligeiro. AH, NADA DISSO! EU SOU TALITA, NÃO SOU O QUE TENHO! Gritou ela ainda com orgulho.

Talita, agora, voa também por entre altas árvores da montanha17. Cativou novos amigos: a águia Alice18, o macaco Cipó19 e até um elefante20, que espertamente fugira do circo, Grandão é seu nome.

E os velhos amigos? Não foram esquecidos, não! Brincam todos os dias com Talita, que sempre repete feliz e com orgulho:

- Ovo, lagarta, crisálida ou borboleta, EU SOU TALITA21!


1 Propósito: trabalhar o autoconhecimento, o ser e não o ter; trabalhar as fases da vida;

2 Postura da criança (Balasana);

3 Passar devagar para a minhoca (ashatanga namaskara);

4 Pranayama meditativo So Ham: inspirar pensando EU, expirar, SOU;

5 Arrastar-se como uma lagarta na postura da minhoca;

6 Postura do sapo em cócoras, língua para fora para caçar insetos;

7 Postura da cobra;

8 Postura do gafanhoto;

9 Postura do crocodilo;

10 Postura do passarinho;

11 Postura da criança novamente;

12 Novamente o pranayama EU SOU;

13 Idem;

14 Na postura da criança ir esticando-se com dificuldade, com se algo impedisse;



15 Postura do guerreiro;

16 Postura da borboleta, batendo as “asas, primeiramente com vagar e dificuldade e, depois, agilmente;

17 Postura da montanha por algumas crianças enquanto outras ficam na da borboleta;

18 Postura da águia;

19 Postura do macaco;

20 Postura do elefantinho;

21 Entrar em relaxamento, postura do morto, fazendo a respiração EU SOU.

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